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Resumo do Livro “Lacan Seminário 25: O Momento de Concluir”
O Seminário 25 de Jacques Lacan, intitulado O Momento de Concluir, proferido entre 1977 e 1978, é um de seus últimos seminários e, como o título sugere, carrega um tom de testamento e de balanço. No entanto, o “momento de concluir” de Lacan não é um fechamento de sua teoria em um sistema final, mas, ao contrário, uma abertura radical. A conclusão de Lacan é que não há conclusão, que o Simbólico não pode fechar o Real, que o saber é sempre furado. Este seminário é uma exploração das consequências dessa não-conclusão para a psicanálise e para o fim da análise.
Lacan se apoia quase que exclusivamente na topologia do Nó Borromeano para pensar. Ele abandona as longas digressões filosóficas e se concentra em manipular os nós, em explorar suas propriedades lógicas. Ele questiona tudo o que havia construído antes, incluindo a primazia do Édipo e do Nome-do-Pai. A questão central torna-se: como um sujeito pode viver, como ele pode ter uma identidade, em um mundo onde não há garantia, onde o Outro não existe? A resposta, mais uma vez, aponta para o sinthoma, para a invenção singular de cada um. O seminário é uma meditação sobre o fim, não como um ponto de chegada, mas como um ato de corte, de separação, um momento em que o analisando, confrontado com a inexistência do Outro, deve concluir por si mesmo, assumindo a responsabilidade por seu modo de gozar.
A Topologia como Único Real
Neste seminário, a topologia não é mais uma ferramenta para ilustrar a teoria; ela se torna a própria teoria. Lacan chega a dizer que “a única coisa real que temos é a topologia”. Isso significa que a estrutura do sujeito, a relação entre Real, Simbólico e Imaginário, não é uma metáfora, mas uma realidade lógica que pode ser manipulada e estudada através dos nós.
Lacan continua a explorar o Nó Borromeano, mas de uma forma cada vez mais complexa. Ele introduz a ideia de que os anéis podem ter diferentes “consistências” e que o nó pode ser generalizado para mais de três anéis. Ele se pergunta o que acontece quando o nó é cortado. O corte, para Lacan, é uma operação fundamental. Cortar o nó é o que permite separar os registros, identificar os pontos de amarração e de falha.
O ato do analista é comparado a um corte. A interpretação não é mais dar sentido, mas cortar a cadeia significante, introduzir um furo no discurso do paciente para isolar o gozo que está em jogo. A sessão curta, praticada por Lacan, é a própria materialização desse ato de corte.
O Fim da Análise: Um Corte, Não uma Conclusão
O título do Seminário 25, O Momento de Concluir, refere-se diretamente ao fim da análise. Mas a conclusão, para Lacan, não é um estado de harmonia ou de saber pleno. É um ato.
No ensino anterior de Lacan, o fim da análise era pensado como a “travessia da fantasia”. Aqui, a perspectiva é diferente. O fim da análise é o momento em que o analisando se confronta com a verdade última da psicanálise: o Outro não existe. Não há um Outro que possa garantir a verdade, que possa dizer ao sujeito quem ele é ou o que ele deve fazer. O Sujeito Suposto Saber, encarnado pelo analista, se revela como uma ficção.
Diante desse desamparo fundamental, o analisando é confrontado com uma escolha:
- A Passagem ao Ato: Se a angústia for insuportável, o sujeito pode “sair de cena”, se identificar com o objeto a e se deixar cair, como no suicídio.
- O Ato Analítico: O sujeito pode realizar um ato de corte. Ele se separa do analista, não por hostilidade, mas porque reconhece que o analista não tem a resposta. Ele assume a sua própria falta e a falta do Outro. Ele “conclui” que a conclusão depende dele.
Essa conclusão não é um saber, mas uma decisão. É a decisão de parar de demandar um sentido ao Outro e de começar a fazer algo com o seu sinthoma. O fim da análise é o momento em que o sujeito está pronto para se tornar o autor de sua própria vida, para além das ficções que o governavam.
A Identidade como Identificação com o Sinthoma
Se o Outro não existe, se não há um significante mestre que possa garantir a identidade, então o que resta? O que resta é o sinthoma. O sinthoma é o único ponto de identidade real do sujeito. É o seu modo de gozar, a sua marca singular, o que não pode ser trocado nem interpretado.
O fim da análise é a identificação com o sinthoma. O sujeito para de lutar contra seu sintoma, para de tentar eliminá-lo. Em vez disso, ele o assume, o reconhece como seu e aprende a “saber-fazer” com ele. O que era uma fonte de sofrimento se torna uma ferramenta, um estilo, uma assinatura.
Lacan diz que a identidade do sujeito, no final, se reduz a essa nomeação singular que ele pode dar a si mesmo a partir de seu sinthoma. Não é uma identidade baseada em um ideal ou em um papel social, mas uma identidade baseada no que há de mais real e incurável em seu ser.
Conclusão: A Psicanálise como Prática do Vazio
O Seminário 25: O Momento de Concluir é um texto difícil, fragmentado, que reflete o próprio estado do pensamento de Lacan em seus últimos anos. É um pensamento que se recusa a se fechar em um sistema, que se mantém aberto ao Real, ao impossível.
Lacan nos deixa com uma visão da psicanálise como uma prática do vazio. O analista opera a partir do vazio do desejo, e a análise leva o sujeito a se confrontar com o vazio do Outro. Não há nada por trás do véu, não há um segredo final a ser revelado.
Mas é precisamente nesse vazio que a invenção se torna possível. Se não há um destino pré-escrito, então o sujeito é livre para inventar o seu próprio. A conclusão de Lacan é que a psicanálise não oferece uma conclusão, mas um começo. Ela não dá respostas, mas abre um espaço para que o sujeito possa formular suas próprias perguntas e inventar suas próprias respostas, por mais precárias que sejam.
Este seminário é um testamento da coragem intelectual de Lacan, sua recusa em ceder à tentação do sentido e do sistema. É uma leitura essencial para quem quer entender o ponto mais radical do pensamento lacaniano e as implicações de uma clínica que leva a sério a inexistência do Outro. Para explorar o que significa concluir em psicanálise, o Lacan Seminário 25 em PDF é uma jornada ao coração do impossível.

Sou Cristian, psicanalista. Minha prática combina escuta atenta, criatividade e empatia, criando espaços acolhedores para expressão e individuação. Atendo online, oferecendo um ambiente seguro e respeitoso para cada pessoa explorar sua singularidade com autenticidade.





